Vânia Bastos, ao lado do violonista Ronaldo Rayol, mostra músicas de Edu Lobo em parcerias com Chico Buarque, Joyce, Vinícius de Moraes, Capinan, Cacaso e outros
“Um mar de sons e poesia”, é assim que a cantora paulista Vânia Bastos define Edu Lobo, compositor do qual gravou parte da obra, no seu décimo primeiro CD NaBocaDoLobo (www.luamusic.com.br) (2010).
“Seu trabalho é marcado por personalidade sofisticada e popular ao mesmo tempo. Um homem que mergulhou profundamente nos estudos musicais e continuou fazendo uma arte totalmente saborosa, peculiar e altamente brasileira”, sintetiza Vânia, que conheceu a música de Edu ouvindo o próprio, além de discos de Elis Regina e Marília Medalha.
O repertório, escolhido com o produtor Thiago Marques Luiz, abrange várias fases da carreira do músico carioca. Estão aqui Upa Neguinho (1964), Canção do Amanhecer (1965), Vento bravo (1973), Negro, Negro (1975),Meia-noite (1985), Gingado Dobrado (1976), esta última com a participação especial de Edu Lobo.
Presença importante no CD e no show é a do violonista e arranjador Ronaldo Rayol, responsável pela direção musical: “Foi uma grande parceria mesmo. A idéia, sempre, era a de não descaracterizar as harmonias do Edu. Assim fomos recriando, à nossa maneira, mas com esse respeito. Músicas como Upa Neguinho, por exemplo, ganharam outra cara”.
Vânia tornou-se conhecida inicialmente por seu trabalho como solista da banda Sabor de Veneno, de Arrigo Barnabé, com quem gravou dois discos importantes: Clara Crocodilo (1980) e Tubarões Voadores (1984). No final dos anos 80 passou a se dedicar à carreira-solo, impulsionada por Paulista, música que fez grande sucesso na sua voz. Em seus 30 anos de carreira, lançou dez discos.
Edu, filho do compositor Fernando Lobo, sempre com acesso a grandes artistas, ainda na adolescência formou um conjunto com Dori Caymmi e Marcos Valle. Em 1962 compôs sua primeira parceria com Vinicius de Moraes. Suas canções, as do início influenciadas pela bossa nova, refletem depois uma linha mais combativa de cultura popular. Entre 1969 e 1971 morou nos Estados Unidos, onde aprofundou seus estudos musicais, época em que trabalhou com Sergio Mendes e Paul Desmond. Fez trilhas históricas para teatro, balé e cinema, algumas em parceria com Chico Buarque como O Grande Circo Místico e O Corsário do Rei. Recentemente, após um breve afastamento, retomou a carreira discográfica com o CD Tantas Marés.
Vânia conclui: “Edu Lobo é um representante significativo do que há de melhor na música brasileira. O que parece simples, tem nuances de delicadeza harmônica que são o deleite de estudiosos da boa música. Por isso ele faz bem aos ouvidos, dos atentos ou não. E eu estou tendo esse privilégio, o de poder interpretar um de nossos maiores autores”.




